APICULTURA NA AMÉRICA LATINA

Desde tempos mais remotos o ser humano tem se dedicado a cultura de insetos para tirar deles proveito próprio. A história da apicultura surgiu antes do surgimento da humanidade. Em achados arqueológicos, foi possível identificar abelhas dentro de âmbar com 42 milhões de anos e idênticas às abelhas atuais.

Existem diversas espécies de abelhas espalhadas pelo mundo. Algumas vivem em família e outras são solitárias. As abelhas que vivem em família e tem ferrão  são as abelhas do gênero Apis, e as   que  não o possuem  são os Meliponíneos. Apesar, que  do  gênero Apis existam  muitas espécies, duas delas   são  utilizadas  comercialmente,  Apis Mellifera (ocidental) e  Apis Cerana  (Índica). Os meliponíneos   são abelhas nativas da América e mesmo com a grande importância como polinizadores e  por terem sido manejadas racionalmente pelos povos pré-colombinos para diversos usos, foi a abelha do   gênero  Apis que assumiu o protagonismo nas   Américas, após a  chegada dos europeus.

A apicultura é a arte de criar abelhas do gênero Apis. Textos dos antigos dos Sumérios confirmam o uso de produtos apícolas a mais de 5 mil anos atrás. Mais tarde, esta região seria conhecida como Babilônia e o mel já estava sendo utilizado na medicina. Por volta do ano 1300 a.C., os Hititas que invadiram a Babilônia desenvolveram uma legislação sobre apicultura. Neste período já existia a apicultura migratória, o que prova o uso de colmeias móveis.

Apesar da apicultura já ser manejada por milênios, pela humanidade, muitas descobertas são bem recentes. Foi com o surgimento do microscópio que permitiu, em 1637, a descoberta do aparelho reprodutivo da rainha. Já a fecundação das princesas, ao ar livre, foi descoberta apenas em 1771 e no mesmo ano também foi descoberto que a princesa tem origem do mesmo ovo de uma abelha operária. Mas, apenas em 1851 que Lorenzo Lorain Langstroth descobriu o significado do espaço abelha, entre 4,7 a 9 mm.

As abelhas europeias foram trazidas para a América do Sul pela colonização do continente. Elas chegaram no Brasil no ano de 1839, originária do Norte dos Alpes Europeus. No Sul do Brasil, as primeiras abelhas do gênero Apis foram trazidas em 1870. Porém, teve outro fenômeno que permitiu a apicultura se adaptar e se expandiram nas regiões tropicais de todos os países deste continente. Foi no ano de 1956, quando foram trazidas para o Brasil, abelhas da África tropical.

Estas abelhas e seus híbridos de propagaram em uma velocidade incrível por toda américa do Sul, a leste dos Andes sobrepondo às abelhas europeias como se estas não existissem. Das 188 rainhas que foram trazidas da África para o Brasil em 1956, e levadas para o interior de São Paulo, por um descuido dos pesquisadores, 26 colônias enxamearam. Num período de 33 anos, já haviam chegado até a América do Norte, Andes e Argentina. Percorrendo uma distância de 9 mil km, em média de 270 km de expansão por ano.

A africanização das abelhas na América, produziram abelhas mais fortes, defensoras de seus ninhos e muito mais inclinadas a ferroar do que as suas congêneres europeias. As abelhas africanas levam de 1 a 5 segundos para reagir a um estímulo externo, enquanto que as abelha europeias reagem em 10 segundos ou mais. Além das abelhas africanizadas também serem mais resistentes às doenças, elas começam a trabalhar mais cedo e param de trabalhar mais tarde que as primas europeias. Atualmente, é impossível de retirar estas abelhas do Brasil, e apesar de elas terem mudado a relação do apicultor com o apiário, em função da agressividade, elas se tornaram muito mais produtivas e desejada pelos apicultores das regiões tropicais, que antes da chegada destas espécies tropicalizadas, viam a apicultura com abelhas europeias uma atividade bastante limitada.

Seria então, a oportunidade da apicultura na América Latina, se não fosse outra recentemente descoberta. As abelhas começaram a revelar algo que silenciosamente vinha afetando as formas de vida do planeta. O problema ficou tão sério que pesquisadores criaram um nome para o fenômeno. É o Transtorno de Colapso de Colônias (CCD), que começou a surgir no começo da década de 1990, quando os neonicotinóides entraram no mercado.  

Os neonicotinóides são pesticidas, que ao serem aplicados sobre os cultivos convencionais, são absorvidos pelo sistema vascular das plantas, que por sua vez são liberados por gotas d’água, pólen e néctar, que as abelhas se alimentam, produzindo efeitos cumulativos e subletais aos polinizadores.  O fenômeno é conhecido no Brasil como Sumiço das Abelhas. Na Europa, vários países já baniram estes produtos, mas nos Estados Unidos, país que já perdeu mais de um terço de suas abelhas este veneno é utilizado livremente.

Não bastassem os pesticidas, a agricultura convencional também mergulhou no uso Organismos Geneticamente Modificados (OGM) para produzir alimentos, fibras e energia. Tanto os cultivos convencionais como os OGM se propagam livremente e sem controle ameaçando os cultivos orgânicos, água, solo e inviabilizando a agricultura orgânica em diversa regiões, mas principalmente a apicultura, pela sua importância direta sobre a polinização da maioria dos cultivos.

As abelhas são responsáveis pela produção de 90% dos alimentos do planeta e estão dando sinais de que a humanidade deve mudar o modelo convencional de produção de produção de alimentos para a Agricultura Orgânica. A FAO reconheceu recentemente que é através da Agricultura Orgânica que vamos combater a fome do planeta e garantir a sustentabilidade da agricultura. A ciência já reconheceu que a agricultura convencional é responsável pela maior parte das emissões atmosféricas e aquecimento do planeta e que os pesticidas estão diretamente ligados às doenças modernas, como o câncer.  

Segundo dados da Ifoam de 2014, na América Latina, eram  6.8 milhões de hectares com cultivos orgânicos e outros 2.9 milhões de hectares de extrativismos orgânico, onde está inserida a apicultura orgânica. De toda apicultura orgânica do planeta, 20% está na América Latina. E o Brasil é o terceiro mais importante produtor de mel orgânico no mundo, ficando atrás apenas de Zâmbia e Itália. O Brasil também é o pais que mais exporta mel para Estados Unidos.

Para driblar todas as dificuldades da agricultura convencional e ainda conseguir garantir a continuidade dos excelentes resultados que a apicultura orgânica vem obtendo, as empresas apícolas certificadas pela KIWA BCS Brasil estão em um processo de investimentos na qualificação do setor apícola e de regiões aptas para propagar a apicultura orgânica. Ferramentas, como o georeferenciamento dos apiários (ver imagem 01) é uma das ferramentas que hoje tem sido utilizada para fazer uma avaliação de risco das regiões produtoras.

Imagem 01: Georeferenciamento como ferramenta de controle de apiários.

O apicultor que viu no início dos anos 2.000 o mercado mundial se fechar para o mel do Brasil, devido aos resíduos de antibióticos, não quer mais que isso volte a acontecer. Com a chegada da apicultura orgânica, o antibiótico foi substituído por produtos permitidos. Os cursos e congressos fazem parte das estratégias para fortalecer o movimento. Recentemente, a KIWA BCS Brasil, realizou o primeiro Curso Internacional de Apicultura aberto, e envolveu os principais atores envolvidos com a apicultura no Sul do Brasil para apresentar as principais regulamentações da apicultura orgânica (ver imagem 2).

Imagem 2: I Curso de Apicultura Orgânica KIWA BCS Brasil, realizado no final de novembro de 2015.

Atualmente, é o mel orgânico que vem abrindo novamente o mercado apícola no Brasil e os apicultores vem se esforçando para que estes resultados se perpetuem, e os resultados destes esforços contínuos já começaram a aparecer. Foi tanto no ano de 2013, quanto em 2015, nos congressos da Apimondia, que vários méis do Brasil receberam as maiores avaliações de qualidade do evento, com várias medalhas de ouro. Foi com os insetos sociais que a humanidade primitiva começou a desenvolver as técnicas de cultivo. Será que estes sofisticados organismos conseguirão despertar a humanidade contemporânea?  

Por:

1. Marcelo Farias, MSc em Agroecossitemas, Gerente Geral KIWA BCS Brasil

2. James Bartolomé Arruda, Dr. em Recursos Genéticos Vegetais, Certificador de projetos apícolas Kiwa BCS Brasil para regulamento brasileiro de apicultura orgânica.

 

Apicultura orgânica: saúde e bem-estar no campo e na cidade

O final deste ano de 2015 está sendo doce para muitas famílias e empresários apícolas do Brasil, especialmente da região sul. O motivo?

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A apicultura orgânica, bastante desenvolvida no estado de Santa Catarina, ganha cada vez mais destaque, inclusive mundial, pela qualidade de seus produtos; e, local, pelo aumento do número de agricultores familiares adeptos. Mas o que isso significa? Mel de maior qualidade na mesa e famílias rurais mais satisfeitas e com jovens que começam a ver razão de permanecer em suas terras, sem precisar mudar para as cidades.

Este foi o foco da reportagem do programa Campo e Lavoura que segue e nós, da BCS Brasil, ficamos muito felizes por estes resultados e parabenizamos a todos os nossos clientes da apicultura. Que 2016 seja melhor ainda!

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/campo-e-lavoura/videos/t/edicoes/v/familia-se-dedica-a-apicultura-e-tem-grande-retorno-em-santa-catarina/4577011/

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